O último combate de Trotsky

Leon Trotsky foi assassinado há 79 anos, a 20 de agosto de 1940. Assinalando a data, publicamos um texto de Daniel Bensaïd de 1993, escrito na ressaca da queda do muro de Berlim, no qual a propósito do pensamento do revolucionário russo, reflete sobre solidariedade, internacionalismo e a Quarta Internacional.

O mundo transforma-se. A ex-muralha estalinista não é mais do que um campo em ruínas. As ilusões colapsaram. Mas é a debandada da memória que ameaça o movimento operário. Daí o interesse de uma continuidade de prática e de programa para se orientar nas vastas recomposições por vir.

Da formação da Oposição de Esquerda à fundação, em 1938, da IV Internacional. O combate de Trotsky contra a degenerescência estalinista concentrou-se na defesa do internacionalismo revolucionário face ao crescimento do chauvinismo e da razão de Estado. Meio século mais tarde, a sua aposta histórica apareceria em toda a sua amplitude.

De um lado, o internacionalismo da produção, das trocas, da divisão do trabalho, da informação, dos serviços progrediram a passos de gigantes. Um bater de asas de borboleta na bolsa de Tóquio tem um efeito imediato na de Nova Iorque. A burguesia e as multinacionais dotam-se de um vasto dispositivo de concertação e de ação monetária, diplomática, militar, na qual se combinam cimeiras, pactos (NATO, SEATO).

Do outro, o movimento operário está cada vez mais fragmentado e dividido no quadro dos Estados nacionais. Enquanto esteve realmente na vanguarda e antecipava a história fundando, há mais de um século, a I Internacional, hoje está atrasado face às multinacionais e aos governos para organizar a sua réplica ao projeto de união económica e monetária, nem que seja ao nível continental europeu! O prejuízo é enorme e durável.

As desconfianças tenazes

O internacionalismo foi ele também desfigurado. Pela associação estreita dos partidos social-democratas às burguesias imperialistas em primeiro lugar, o seu apoio ativo às políticas coloniais, e, ainda hoje, à exploração e à pilhagem do terceiro-mundo. De seguida pela subordinação do movimento comunista aos interesses da burocracia do Estado estalinista e a uma mãe pátria do socialismo real, quer ela fosse soviética ou chinesa. Os “amigos” da URSS, da China, da Albânia, em todo o mundo, os revolucionários colaborando na igualdade e respeito mútuo. Por fim, a degenerescência burocrática das revoluções vitoriosas chegou à sua conclusão lógica: os conflitos sino-soviético, sino-vietnamita, a guerra entre o Vietname e o Camboja.

Contudo, os acontecimentos que estão a decorrer trazem de novo à luz da atualidade o internacionalismo e o seu papel insubstituível. Quantos camaradas latino-americanos ou asiáticos, autenticamente revolucionários, nos acusaram de criticar irresponsavelmente o “campo socialista”, que apesar dos seus defeitos, constituía a seus olhos, nas relações de forças mundiais, uma retaguarda logística, política, material, indispensável.

No início do levamento operário polaco de 1980-81, um velho amigo chileno dizia-nos: “O que se passa na Polónia é formidável. É a demonstração brilhante da realidade da burocracia e das reivindicações de um movimento social independente. Mas como não tem nenhuma possibilidade de ganhar, de estabelecer nas fronteiras da URSS, um socialismo democrático, é melhor para nós que o soviéticos restabeleçam a ordem o mais rápido possível.”

Cinismo, realismo em trompe-l’œil, dupla consciência? Discussão muitas e muitas vezes retomada. Explicavamos que este pretenso realismo era de vistas curtas. Que as sociedades burocráticas do Leste estavam minadas por contradições bem reais e que as contradições acabariam por explodir de uma maneira ou de outra. Que recusar preparar-se para isso conduziria, no melhor dos casos, a uma atitude inconsequente: no fim de contas os revolucionários do terceiro-mundo apenas podiam contar com a solidariedade dos povos, com a comunidade do combate de classe, com o internacionalismo consciente e não com a fidelidade diplomática de Estados apodrecidos até ao tutano, nem na solidez de um qualquer “campo socialista”. No pior dos casos, a sua realpolitik empurrava-os para o campo dos opressores, até apoiar a normalização em Praga ou em Varsóvia, não pelo amor à burocracia mas em função de um anti-imperialismo mal compreendido que, em nome da luta contra o inimigo principal, sacrifica os seus únicos aliados naturais aos punhais do inimigo secundário. Esta discussão chegou agora à sua conclusão.

Sobre um campo de ruinas. O internacionalismo esmigalhado

Daqui emerge não um renascimento espontâneo de um internacionalismo de massa mas uma ascenção de conflitos exasperados, de fanatismos religiosos, de integrismo étnicos, de nacionalismos rançosos e requentados. Há nisto uma razão política profunda. Não se desperdiça impunemente uma esperança formidável, um formidável ímpeto de fraternização dos povos, como conseguiu suscitar a revolução de Outubro. A história não faz desvios, não abre parênteses relativamente a um caminho pré-estabelecido. As suas experiências e improvisos carregam todo o peso dos seus desastres.

E este século foi particularmente fecundo em catástrofes. Com aparelhos políticos e as maquinarias militares cada vez mais monstruosos, o enfrentamento dos Estados, dos blocos e dos campos, reprimiu a lógica das lutas de classes. O chauvinismo respetivo das burocracias social-democratas e estalinistas infetou duradouramente o movimento operário. Não se apagará com uma esponja mágica os efeitos profundos das guerras “patrióticas”, das guerras coloniais, caucionadas, ou das complacências face à xenofobia anti-imigrantes (histórias de direito de voto e de bulldozers).

Há evidentemente uma razão social que apenas uma visão angelical poderia ignorar. Os explorados não estão nunca espontaneamente unidos. Eles podem parecer-se no combate comum mas a concorrência no mercado de trabalho cessa ao mesmo tempo de os virar uns contra os outros.

O que é verdade à escala de um país é-o, a fortiori, à escala internacional. Não apenas através da utilização de políticas migratórias, mas mais simplesmente ainda. Lutamos nos países europeus contra os efeitos da crise, as políticas de austeridade, o desemprego. Mas estes efeitos foram, por enquanto, amortecidos pelas conquistas passadas do movimento operário (segurança social, subsídios de desemprego). As burguesias não puderam gerar estes equilíbrios a não ser transferindo os custos sobre os mais fracos (terceiro-mundo e países do Leste). A social-democracia construiu os seus sucessos eleitorais sobre esta imagem de campeã do mal menor. Mas a base material destes novos compromissos sociais é uma concentração de riquezas, de tecnologias de ponta, de capitalização bolsista sem precedente nos sete países mais ricos e uma pilhagem acrescida dos mais fracos: desde há uma década, o terceiro-mundo, repitamo-lo, é exportador líquido de capitais em benefício das metrópoles.

Nestas condições, não basta que o muro de Berlim caia, que as ilusões dos revolucionários asiáticos ou latino-americanos sobre a realidade e o papel do “campo socialista” colapsem com ele, para que estes reencontrem o caminho do internacionalismo militante. O problema é evidentemente colocado nos primeiros tateares, nas primeiras tentativas de reflexão e de reorganização (como o reencontro dos partidos da esquerda latino-americana em São Paulo em julho passado). Mas para que se encontre uma solução positiva, seria preciso que os revolucionários latino-americanos, por exemplo, pudessem reencontrar um interesse e uma disponibilidade internacionalistas de uma outra amplitude no movimento operário da Europa Ocidental, dos Estados Unidos e do Japão, ao passo que frequentemente têm apenas como interlocutores os órgãos governamentais ou para-governamentais gerados pela social-democracia. Seria necessário que eles pudessem reencontrar não apenas os burocratas governamentais mas os militantes de correntes socialistas e democráticas na Europa de Leste. Ora estas correntes não são senão apenas redes finas. A troca de ideias com eles é indispensável e pode ser fecunda mas não conseguiria compensar, a curto termo, a perde de ajuda material, mesmo limitada e condicional, que poderia dar por exemplo a Alemanha oriental.

Claro, existem as sementes de uma renovação internacionalista. Há, na juventude como nos trabalhadores, impulsos de generosidade e de solidariedade que se manifestam por mil canais, como nas campanhas políticas contra a dívida do terceiro-mundo, contra a guerra e a corrida aos armamentos, pelas grandes causas ecologistas, como nas iniciativas a favor das aldeias romenas ou das vítimas de sinistros.

Mas esta disponibilidade continua a ser uma aposta. Ela pode ser canalizada e neutralizada pelas instituições caritativas ou desenvolvida no sentido de uma tomada de consciência acrescida dos fatores de miséria no mundo. A reconstrução desta consciência internacionalista é também um combate.

O labirinto da dúvida…

Um obstáculo a este caminho permanece até no caminho dos revolucionários convictos e dos internacionalistas autênticos: um dos balanços das internacionais passadas. Marx preferiu dissolver a Iª depois da derrota da Comuna, em vez de a ver degenerar numa seita dilacerada por querelas sem resultados práticos. A IIª tornou-se a caricatura estática que se conhece. A IIIª foi fechada por Estaline, em 1943, para poder negociar com toda a liberdade, Estado a Estado, a reorganização do mundo. A IVª, fundada no mais profundo da derrota, manteve uma continuidade preciosa mas nunca conseguiu transformar-se numa internacional de massa.

Para além da constatação, os camaradas que recusam a atualidade de uma internacional avançam dois tipos de razões. Uns afirmam que seriam a favor de uma internacional de massa mas que as condições imediatas da sua constituição não existem, uma internacional minoritária teria necessariamente um efeito perverso e uma lógica sectária. Constatam, não sem razão, que a nebulosa das correntes que se reclamam do trotskismo e da IVª Internacional produziu internacionalmente um contigente forte de seitas delirantes, cujos costumes e conceções organizacionais não deixam nada a invejar (em modelo reduzido) aos partidos estalinistas mais endurecidos. Os outros reenviam para a lixeira das utopias destruídas a própria ideia de uma internacional, ideia generosa e entusiasmente, claro, inocente como o movimento operário na altura do seu nascimento, mas que a história tratou de demonstrar de uma inanidade prática. Nos labirintos da dúvida, escolheremos sempre o fio dos princípios. É aqui que nos espera “o último combate de Trotsky”.1

Para expressar um projeto de emancipação universal, os trabalhadores têm, nas suas condições de exploração, a potencialidade de ver o mundo ao mesmo tempo com os olhos do proletário chileno em Santiago, nicaraguense em Manágua, polaco em Gdansk, chinês, etc. Esta potencialidade só se pode tornar efetiva através da construção de um movimento operário internacional, sindical e político. Se é verdade que a existência determina a consciência, o internacionalismo exige uma internacional.

Retomemos o exemplo do nosso amigo chileno defensor da realpolitik: o seu realismo ditava-lhe sacrificar os interesses do trabalhador polaco ao que acreditava ser o seu interesse próprio de revolucionário chileno; faltando ao seu dever internacionalista fazia, na realidade, a cama da reação clerical na Polónia e do chauvinismo polaco.

Não se pode jurar mas pode-se imaginar com razoabilidade que a trajetória do Solidarnosc e das suas direções teria sido outra se tivessem encontrado um movimento internacionalista poderoso. Não devemos abusar dos princípios. Há poucos.

É por causa disso que acomodar-se aos princípios tem um custo tão caro. É por causa disso que o combate de Trotsy se articula à volta do combate por uma nova Internacional a partir do momento em que ele considera irrevogavelmente falido o Komintern estalinizado.

De 1933 à conferência de fundação de 1938, esta questão está no centro da sua atividade, febril, obsessiva, na acumulação de derrotas e na aproximação da guerra. A sua tentativa é contudo clara. Por vezes condenou-se em Trotsky a sua precipitação. Ora, durante estes cinco anos ele assume dois esforços. Um esforço de clarificação e um esforço de reunião.

Por um lado, trata-se de lançar as bases programáticas de uma nova internacional. Elas não poderia consistir numa doutrina, numa visão geral do mundo, mas apenas nas lições maiores assimiladas pelo movimento operário internacional. Trata-se para ele de enriquecer o património dos primeiros congressos da Internacional comunistas com as experiências cruciais que constituem, já, a derrota da segunda revolução chinesa (discussão sobre a teoria da revolução permanente), a degenerescência burocrática da URSS (programa da revolução anti-burocrática), a vitória do nazismo na Alemanha (reivindicações democráticas e frente única operária).

Ao mesmo tempo, multiplica as tentativas para juntar revolucionários saídos da social-democracia assim como dos partidos estalinistas, as propostas de conferências, as cartas abertas. O seu projeto não é o de uma internacional “trotskistas”. Ele está pronto a encarar uma internacional pluralista, mas com duas condições:

– que a discussão sobre as questões essenciais tenha lugar com toda a clareza, não seja mascarada por compromissos duvidosos e que ela permita verificar a compatibilidade das divergências eventuais;

– que, para além dessas divergências, os parceiros estejam de acordo sobre a própria construção de uma internacional, sobre a sua democracia interna e a das suas secções; neste caso, as questões não resolvidas podem evoluir em relação à prática comum e às novas experiências.

E o fio dos princípios

É apenas em 1938, face à iminência da guerra mundial, e depois de ter esgotado estas tentativas que a IVª Internacional é fundada em condições radicalmente diferentes das precedentes. Cada uma das três primeiras tinha coincidido com uma fase de crescimento e de organização, até de uma vitória do movimento operário. Cada uma delas contava à partida com a existência de pelo menos uma secção de massa (inglesa para a Iª, alemã para a IIª, soviética para a IIIª).

A IVª nasceu pelo contrário da derrota e contava com o principal das suas forças no exílio, nos campos estalinistas ou nos campos nazis. Alguns historiadores ou militantes concluíram daqui que a fundação da IVª Internacional estava ligada para Trotsky ao prognóstico segundo o qual a IIª Guerra mundial, que ele previa, terminaria com a queda do estalinismo e um relançamento da revolução mundial tão impetuoso como aquele que tinha acontecido no seguimento da Iª Guerra mundial.

Neste caso, ver-se-ia ressurgir a corrente bolchevique revolucionária na URSS sem que a continuidade tivesse sido realmente quebrada por uma ou duas décadas de reação estalinista. Este prognóstico não se verificou. Mas a criação da Internacional decorria de princípios, não de um prognóstico. A sua existência, a manutenção de um quadro de reflexão programática comum no coração da tormente, permitiu aos seus militantes orientar-se, manter a bússola, em situações inéditas e imprevistas, enquanto que correntes quantitativamente mais importantes antes da guerra desapareciam.

Os acontecimento em curso constituem uma nova mudança maior na situação. O meio século passado não constitui um parênteses em vias de se fechar. A história não refaz os seus passos para nos oferecer a retomado, no momento em que foi interrompido pelas rusgas da GPU, o debate entre Oposição de Esquerda e ou boukharianos, nem a queda do muro de Berlim vai fazer o tempo voltar atrás para nos permitir um passeio em companhia de Rosa Luxemburgo. O tempo obscureceu muitos mapas e apagou muitos marcos. Ao ponto da revolução de Outubro não aparecer, na própria URSS, como a experiência fundadora e original natural para a refundação de um movimento operário independente.

Os que querem religar com as melhores tradições do movimento operário têm o direito de colocar tudo em questão. Nestas condições, a IVª Internacional enquanto tal não surge como a alternativa natural às direções burocráticas que se afundam. Isto teria podido ser o caso nos anos trinta ou depois da guerra: a legitimidade da Revolução russa operava em linha direta, os atores eram frequentemente ainda os mesmos. Hoje, a reorganização internacional do movimento operário é um estaleiro infinitamente mais aberto e complexo. Guardamos aí um objetivo, não desmesurado, mas certamente ambicioso: a reconstrução de uma Internacional revolucionária de massa.

Consideramos que a IVª Internacional nada mais nada menos do que um instrumento precioso para esta tarefa. Precioso porque nada de bom sairá do método da tábua rasa ou dos contadores a zero. Podem-se colocar questões novas mas colocam-se sempre com uma linguagem antiga. Pode-se interrogar o mundo em mutação mas as próprias questões que se lhe colocam pressupõem uma teoria, aberta, pronta a enriquecer-se a auto-criticar-se, mas suficientemente coerente para organizar um diálogo.

Dito de outra forma, face à debandada da memória que ameaça o movimento operário, importa manter uma continuidade de prática e de programa, que nos permite orientar-nos nas vastas recomposições por vir.

Ao mesmo tempo, devemos ser capazes de intervir, sem preconceitos nem sectarismo, nos elementos, mesmo limitados e frágeis, de reorganização parcial, a nível nacional ou regional, quer se tratem de mobilizações e atividades comuns a correntes que, ontem, se ignoravam ou se invetivavam, quer se trate de trocas de experiências ou de reflexão.

Saibamos ser pacientes. O traumatismo foi profundo. A convalescença será longa. Ela não pode ser acelerada a não ser por novos acontecimentos maiores, novas experiências fundadoras, suscetíveis de resolver claramente as grandes interrogações e de polarizar as forças hoje dispersas.

Da nossa capacidade de juntar as duas pontas da corrente, de não perder o fio de uma identidade política e de nos envolvermos sem preconceitos nos diálogos que se abrem, depende o porvir.

Via estreita sem nenhuma dúvida, entre as tentações securitárias e a retórica sectária, e o travesseiro mole da dúvida sem método. Contrariamente a muitos dos clichés ignorantes ou mal-intencionados, o Trotsky do combate pela IVª Internacional não é um megalómano apressado mas um pedagogo paciente, do qual importa assimilar a tentativa:

“Não sei em qual etapa chegará a IVª Internacional. Ninguém o sabe. É possível que devamos entrar de novo numa Internacional unificada com a IIª e a IIIª. É impossível considerar o destino da IVª Internacional independente do das suas secções nacionais e vice-versa (…). É preciso prever as situações precedentes na história. (…) Se consideramos a IVª Internacional apenas como um forma internacional que nos obriga a permanecer sociedades independentes propagandistas em todas as condições, estamos perdidos. Não, a IVª Internacional é um programa, uma estratégia, um núcleo de direção internacional. O seu valor deve consistir numa atitude que não seja demasiado jurídica.”2

Publicado originalmente num suplemento ao Rouge nº 1418.

Notas

1- “Os Anos de Formação da IV Internacional”, Daniel Bensaïd,Cahiers d’étude et de recherche, nº 9, 1988.

2- Trotsky, Œuvres, tome VIII, p. 184, EDI.

Tradução de Carlos Carujo.

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