Ser Prof é crime

 

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Foto de Filipe Saraiva/Flickr

“Deve ser muito difícil ter de confiar, dia após dia, as vossas crianças a gente com queixas crime e medidas cautelares.” Isabel Louçã escreve para a Toupeira Vermelha sobre o caso dos professores que se manifestaram na Assembleia da República e ficaram com termo de identidade e residência.

 

Eu cá acho que uma pessoa não deve ficar com coisas atravessadas. Pode sufocar e é aborrecido, sobretudo para a família. Portanto, tenho de vos fazer um aviso que ando a adiar só para não indispor algumas pessoas mas, como hoje até é 2 de março e faz seis anos andava eu e mais de um milhão de pessoas convencidas que íamos mudar… ora, que se lixe! E cá vai:

Ser prof é crime. Enfermeiro/a também e, provavelmente, muito mais profissionais. Trabalhadores/as em geral, vá. Mas eu sou professora e, portanto, só falo dos meus crimes para que não se diga que não sei do que falo.

Toda a gente sabe que o BES estoirou, a CGD anda bem gerida, como se vê, e o Novo Banco é o que é. À conta destas e outras trapalhadas – não lhes chamemos fraudes financeiras porque isso seria crime -, o governo continua a dar injeções de confiança – com o nosso dinheiro, pois claro – a gestões que parecem inimputáveis. Mas isso não é crime. Não são profs, são banqueiros.

O juiz cujo nome não posso dizer porque senão tenho problemas com a justiça, assina sentenças capazes de matar pessoas. Mas isso não é crime. Não é prof, é juiz.

Os polícias de Alfragide torturam, sequestram, baleiam. Os do Seixal, dão uma coça num casal de negros idosos desarmados. Transbordam todos de racismo. Mas isso não é crime. Não são profs, são polícias (ou maçãs podres, como agora é moda dizer-se).

Os fascistas organizam-se em partidos com ideologia que a Constituição determina ilegal. Mas isso não é crime. São apenas fascistas com saudades do fascismo.

Agora, com as/os profs é diferente! Para já, há imenso tempo que não fazem outra coisa senão espalhar fake news e toda a gente sabe que isso é crime e até pode levar à eleição de “presidentes irmãos”:

Dizem que os quase mil euros mensais muitas vezes não lhes chegam para pagar o quarto e as viagens para o contacto semanal com a família. Mas quem é que acredita que paguem para trabalhar apenas para fazer tempo de serviço?!

Dizem ter direito a todo o tempo que trabalharam quando até o presidente diz que mais vale 2 anos e 9 meses do que nada. Mas onde já se viu querer um direito por inteiro em vez de migalhas tipo 1/3?!

E por aí a fora…

E depois, têm a mania da cidadania só que, afinal, é só má cidadania: vão à Assembleia da República e têm a lata de assistir à discussão de OE sobre educação em silêncio e desfraldar faixas já depois de terminada a sessão. Crime, claro! É bem feita para as 6 dezenas de profs neste momento com termo de identidade e residência, que não têm nada de ter estas manias.

Pronto, mas apesar de eu, professora, ser um crime, acho que a vida está mesmo é difícil para vocês. Porque deve ser muito difícil ter de confiar, dia após dia, as vossas crianças a gente com queixas crime e medidas cautelares – sei lá se alguém não vai aceitar uma colocação a 200 ou 300km, violando o termo de identidade e residência e não acaba por apanhar uma preventiva, que isto de cidadanias e direitos com justiça à mistura, ainda por cima, tem muito que se lhe diga! – que teima em não desistir de 25% da carreira e outras miudezas assim. É que gente desta é mesmo perigosa.

Crime, mesmo.

2.março.2019
Isabel Louçã

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